segunda-feira, 7 de julho de 2008

a falta aumenta na ausência da palavra
e eu sou um ser impregnado de precisanças e porques intermináveis (incontáveis)
sei criar assim, no des-espero dessas noites sem palavras
(logo hoje que eu amarrei a lua com barbante pra ela não fugir da minha janela - só pra eu poder contar pra você)
era um dia sete, e era uma lua nova
fiapinho de lua como tá hoje
sou um ser impregnado de ausências
repleto de precisanças
urgente de palavras
urgente de diminuir a distância e a incerteza
(naufrago na certeza, é onde perco a dimensão de até onde sou - ou onde vou)
não caibo em minhas faltas constantes
é a dor da falta criativa
(eu não nasci das felicidades, eu me embriago com o vento pra fingir minha liberdade)
tenho dificuldade de estrelas e de infinito
(é disso que vem minha claustrofobia)
mas antes tenho medo de sentir (medo)
é um medo que antecede o medo

sigo sendo feita de nadas
e continuo a escrita em letras curtas diminuindo a cada vez
(já não me importo com as regras)
o vento foi pras bandas do sertão
palavras me fugiram essa noite (por isso prendi algumas nesse papel vertical)
minha embriguez fugiu de mim (até o fim do mês)
palavra alucinada em noites de lua (ou sem lua)
quando volta?

domingo, 6 de julho de 2008

ela tem um cabelo de sol

domingo, 15 de junho de 2008

intermináveis noites

Eu já disse como a noite escurece meus olhos? Parece que vai nublando a alma...
Sinto medo todos os dias; das 6 horas da tarde às 6 horas da manhã.
Sinto a noite ofuscando tudo.
A noite me aumenta pra solidão.
Da janela do meu quarto não vejo as estrelas (era pro céu me ampliar?)
As paredes me diminuem de temores.
A dor do nada nasce em noites escuras de céu desanuviado; da dor de estar só em noites de estrelas escondidas atrás da janela.
As espirais gotejam a falta; lágrimas no azul imenso do vermelho da aurora só podem trazer o dia.
As espirais foram feitas de aurora.

domingo, 1 de junho de 2008

de partida para lugar nenhum

é hora de sair de cena
junto meus cacos, recolho a cola (tudo na sacola)...
é hora de deixar ir, e ir...
nesse deixar e sair não há despedida, não há quem vá nem quem fica...
há o saber de ser deixado
(por mais que me tentem agarrar, me deixam ir)
não há despedida, não uma explícita despedida
há a palavra escrita que diz do que foi, do que sentiu e do que ficou
esse ficar das coisas sentidas
há esse pesar da dor de partir, partir sem nem sair do lugar
esse partir de um estado de inércia onde não há mais onde
(onde o horizonte se estreitou)
quando partir é por vezes significativo para uma das partes
(e a dor é apenas dela também)
esse partir noturno, de céu sem lua (que busca outra lua por hora que quer ser prolongada)
esse partir preciso e urgente, que já transgride a sanidade que falta
esse parte que é de um (eu sei, e a dor é de um, o um que foi único durante todo o tempo, a viagem, o processo, a construção do que nunca existiu)
o um construiu o irreal mais profundamente vivido (é o máximo de viver fora da vida, esse construir uma não realidade)
e a palavra que não quer sair, porque enfatiza o partir, porque diminui o um, porque deveria ser mas sempre se escondeu em poréns e "e ses"
relação
esse não estar constante, esse partir constante, essa dúvida constante
é hora de deixar a não relação, a anti-relação
já passou da hora (eu digo, sem "e ses", porque e se já me cansei, e se você nunca está, e se você não quer)
já passou, por hora, já passou
sem sair do lugar
(é apenas a confirmação do que já estava previsto no início do script)

terça-feira, 13 de maio de 2008

o clichê da esquina

O que é beagá?
É só o lugar ou é a pessoa?
Para sentir a falta é preciso saber do cheiro?
Mas como é a cor do cheiro de um lugar que só sabe ser pessoa?
É também muita pretensão de uma pessoa querer ser o lugar para alguém...

Você pode sentir o cheiro?...
Quando me distancio penso no cheiro, penso no vento, penso no toque
No calor do sol dessas tardes que já esfriam...
Penso em quanto querer de te mostrar beagá em todos os ventos, em todos os calores (mesmos nos calores frios de outono)
Acho que prefiro o outono – ainda sou aprendiz de sentir

Quando me distancio sinto falta do sol
O sol amanhecendo na janela da sala
Entardecendo na Avenida José Cândido
Mesmo quente e irritante ao meio-dia
Frio e aconchegante às oito horas
Seco e vermelho às dezoito horas

Penso... será que a falta é minha?
Será que me faltará beagá e todas as esquinas cansadas de um clichê batido?

E me faltará caminhar madrugadas pelo centro entorpecendo a noite, encarando o vento, destemida contra o noturno em companhia das melhores figuras alucinadas de cervejas desvairadas (quando poderia caminhar sem me preocupar – com o que todos se preocupam porque não pensam, pobres, que dormem, a noite dorme, o céu dorme, a praça dorme, Pedro e Carlos dormem, a Bahia dorme, e até o governador dorme)

Nessas noites andantes dançantes
(eu que nunca subi no arco mas sei que tenho mosquetes ou uma mosqueta, ou uma moça ensaiada arrodada que sempre – sempre! – acompanha)

Sinto que tenho tanto para sentir e não queria deixar o querer

Tão doce é a falta, tão morna e lenta
E você quer? Queria sempre saber do clichê da esquina
(porque eu sou tão clichê)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

cansei de me cansar de ouvir palavras dispensáveis no segundo "encontro"...
cansei de não estar e nem ser um possível estar...
cansei de ser deixada de lado e nunca ser prioridade...
cansei de não poder sonhar, não poder voar...
cansei de não me permitirem amar!
cansei dos homens!
porque pessoas que não se querem vivem se encontrando?